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Google aposta em projeto no Brasil que combina redução de metano e remoção de carbono

Foto do escritor: Keep ESG
Keep ESG
5 de out.
3 min de leitura

Maior acordo de remoção de carbono da história da empresa envolve mais de 200 mil hectares de arrozais no Rio Grande do Sul e aposta em uma tecnologia de intemperismo acelerado de rochas


Imagem: Google/Divulgação | Fonte: Times Brasil
Imagem: Google/Divulgação | Fonte: Times Brasil

O Google firmou seu maior acordo de remoção de carbono até hoje com a Terradot, empresa especializada em soluções de remoção de CO₂. O projeto, que será desenvolvido em mais de 200 mil hectares de áreas produtoras de arroz no Rio Grande do Sul, combina duas frentes de ação climática: a redução das emissões de metano e a remoção de dióxido de carbono da atmosfera.


A iniciativa utiliza o intemperismo acelerado de rochas, técnica que busca intensificar um processo natural no qual determinados minerais reagem com o CO₂ e contribuem para sua remoção da atmosfera. Segundo a Terradot, trata-se do maior projeto desse tipo já realizado e, nessa escala, o primeiro a combinar a redução de metano com a remoção de carbono.


Duas frentes para enfrentar as mudanças climáticas

A escolha dos arrozais está relacionada ao papel da atividade nas emissões de metano. De acordo com uma avaliação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os cultivos de arroz irrigado respondem por aproximadamente 10% a 12% das emissões globais de metano.


O metano é um gás de efeito estufa de alto potencial de aquecimento e, por permanecer menos tempo na atmosfera do que o CO₂, sua redução pode contribuir para desacelerar o aquecimento no curto prazo. Ao mesmo tempo, a remoção de dióxido de carbono é considerada necessária para enfrentar o acúmulo de emissões de longa duração.


É justamente essa combinação que diferencia o projeto. A expectativa é gerar 1 milhão de toneladas métricas de créditos relacionados à redução de metano até 2030 e mais 1 milhão de toneladas de créditos de remoção de carbono até 2040, com os dois tipos de créditos produzidos e verificados separadamente.



Um projeto pensado para ganhar escala

Além da dimensão atual, o acordo chama atenção pela possibilidade de expansão. Google e Terradot avaliam que o modelo poderá futuramente alcançar os cerca de 1,5 milhão de hectares de arrozais existentes no Brasil e ser replicado em outros grandes produtores de arroz, como Índia e Vietnã.


A Terradot também prevê projetos-piloto em diferentes países e uma expansão comercial a partir de 2028. A expectativa é que o ganho de escala contribua para reduzir os custos da tecnologia, que ainda são considerados elevados para uma adoção mais ampla.


O valor do novo acordo não foi divulgado. Em uma operação anterior, anunciada em 2024, a compra de 90 mil toneladas de remoção de carbono da Terradot indicava um custo próximo de US$ 300 por tonelada. Segundo a empresa, o novo projeto deverá apresentar custos menores, embora ainda acima do patamar de US$ 100 por tonelada considerado importante para ampliar a demanda pelo mercado.



O que o projeto sinaliza para a agenda climática?

O acordo evidencia um movimento de ampliação das estratégias de descarbonização, especialmente entre grandes empresas que buscam lidar com emissões associadas à expansão de suas operações. No caso das empresas de tecnologia, a crescente demanda por infraestrutura para inteligência artificial tem aumentado a pressão por investimentos em energia limpa e soluções de remoção de carbono.


Ao mesmo tempo, a iniciativa mostra que a agenda climática passa a envolver diferentes caminhos — da redução de emissões na origem ao desenvolvimento de tecnologias capazes de remover carbono da atmosfera.


Para o mercado de carbono, o projeto também coloca em evidência um desafio importante: como ampliar soluções de remoção de carbono com escala, capacidade de verificação e custos que permitam sua adoção em maior volume.


A experiência no Rio Grande do Sul poderá, portanto, servir como um importante laboratório para avaliar o potencial de integração entre práticas agrícolas, redução de gases de efeito estufa e novas tecnologias de remoção de carbono.



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