Brasil bate recorde de organizações que reportam emissões de gases de efeito estufa (GEE)

Programa Brasileiro GHG Protocol registra participação histórica e reforça o avanço da mensuração de emissões no ambiente corporativo.

O Brasil alcançou um novo marco na agenda climática empresarial. No Ciclo 2026 do Programa Brasileiro GHG Protocol (PBGHG), 757 organizações participaram da iniciativa e publicaram informações sobre suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) referentes ao ano-base de 2025 — o maior número já registrado pelo programa.
O resultado representa um crescimento de 12% em relação ao ciclo anterior, quando 670 organizações participaram. Além disso, foram publicados 1.447 inventários de emissões, um aumento de 10% em relação ao ano anterior.
Os números mostram que a mensuração e a divulgação das emissões vêm ganhando espaço entre organizações de diferentes setores da economia. O avanço também amplia a quantidade de informações disponíveis para compreender o perfil das emissões corporativas no país.
Um recorde que vai além dos números
A expansão da participação no Programa Brasileiro GHG Protocol representa mais do que um aumento na quantidade de inventários publicados. Ela indica um movimento de maior estruturação das organizações para conhecer, mensurar e acompanhar suas emissões.
Os inventários de GEE permitem identificar as principais fontes de emissão associadas às atividades de uma organização e organizá-las de acordo com diferentes categorias, incluindo os Escopos 1, 2 e 3.
No Ciclo 2026, as organizações participantes declararam, em conjunto, 213 milhões de toneladas de CO₂e em emissões de Escopo 1, 8,1 milhões de toneladas de CO₂e em Escopo 2 e 1,18 bilhão de toneladas de CO₂e em Escopo 3.
Os dados também evidenciam um dos principais desafios da gestão climática: compreender e mensurar as emissões indiretas relacionadas à cadeia de valor. O Escopo 3 envolve diferentes etapas e atores, como fornecedores, transporte, uso de produtos e outras atividades associadas ao negócio.
Medir é parte da gestão climática
A elaboração de um inventário não deve ser vista apenas como uma atividade de reporte.
Ter dados estruturados sobre as emissões permite à organização compreender onde estão suas principais fontes de GEE, identificar pontos críticos e criar uma base para acompanhar sua evolução ao longo do tempo.
A partir desse diagnóstico, os dados podem apoiar a definição de metas de redução, estratégias de descarbonização, avaliação de riscos e oportunidades climáticas e tomada de decisão.
Esse é um ponto importante diante do crescimento observado no Programa. O aumento da quantidade de organizações que mensuram suas emissões amplia também a necessidade de transformar esses dados em informação útil para a gestão.
Como destacou o próprio Programa Brasileiro GHG Protocol na apresentação dos resultados do Ciclo 2026, os inventários podem contribuir para orientar investimentos e políticas públicas.
O papel dos inventários na estratégia das organizações
À medida que mais empresas passam a medir suas emissões, o inventário deixa de ser apenas um retrato das emissões de determinado ano e passa a integrar uma visão mais ampla da gestão climática.
Algumas perguntas tornam-se fundamentais nesse processo:
Quais são as principais fontes de emissão da organização?
Quais atividades apresentam maior contribuição para as emissões?
Como melhorar a qualidade e a rastreabilidade dos dados?
Quais oportunidades de redução podem ser priorizadas?
Como acompanhar a evolução das emissões ao longo dos anos?
Responder a essas questões depende de uma base de dados consistente e de um processo de inventário adequado às características e aos limites de cada organização.
O recorde registrado pelo Programa Brasileiro GHG Protocol reforça, portanto, a importância de avançar não apenas na quantidade de organizações que medem suas emissões, mas também na qualidade dos dados e na capacidade de utilizá-los para orientar decisões.

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