CCR: ignorar mudanças climáticas pode custar 5 vezes mais do que adaptar a infraestrutura
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- 17 de abr. de 2024
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Empresa, que controla aeroportos, estradas e linhas de metrô, adota estratégia de adaptação e resiliência climática. Segundo especialistas, conceito deve se tornar obrigatório em concessões
Concessionária de aeroportos, rodovias e linhas de metrô, a CCR acaba de mapear os principais riscos às suas operações a partir de efeitos do calor, frio, chuvas excessivas ou secas, que se tornaram cada vez mais comuns nos últimos anos. A estratégia ajuda a antecipar os impactos e direcionar os investimentos em adaptação e resiliência climática.
A ideia é utilizar tecnologias — desenvolvidas em parceria com empresas especializadas na gestão do clima — para orientar as operações da CCR e mitigar os efeitos em quem utiliza os serviços e nas comunidades próximas. Isso inclui parcerias com Climatempo, companhia de meteorologia, WayCarbon, consultoria de sustentabilidade focada no net-zero, Meteo IA, que desenvolve inteligências artificiais e Cemaden, de monitoramento de desastres naturais.
Segundo o vice-presidente de sustentabilidade, risco e compliance da CCR, Pedro Sutter, o acompanhamento diminui os custos com a manutenção dos ativos e melhora a assertividade nos planos de negócios, uma vez que permite iniciar um investimento sabendo como o clima afetará a região dos ativos.
Sutter explica que identificar os riscos permitiu agir para minimizar possíveis desastres. “Já investimos R$ 305 milhões para contenção das encostas. São mais de 27 pontos de riscos para a operação da CCR e para as pessoas que vivem ali. Iniciamos até mesmo investimentos que não estavam previstos no plano de negócio, mas que vão dar a companhia mais chance de lidar com os eventos climáticos. Dessa forma, não precisamos reagir depois que um evento extremo já aconteceu, o que pode custar até cinco vezes mais”, conta.
A estratégia começou a ser criada há um ano como parte do novo plano dos negócios. O objetivo é difundir até 2025 a iniciativa em todas as 26 unidades de negócio que a empresa administra atualmente. O desenvolvimento do plano recebeu um investimento de mais de R$ 200 milhões da companhia, que, segundo Sutter, está relacionado com a atual realidade, em que eventos climáticos extremos devem ser cada mais comuns.
Me surpreende que mais companhias não tenham seguido esse caminho. Quando entrarmos em um negócio, já saberemos quais serão os impactos dos eventos do clima
Pedro Sutter, vice-presidente de riscos e compliance da CCR




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